3 de out de 2011

O valor das coisas: do ouro sustentável ao ecologicamente fashion

http://opiniaosustentavel.blogspot.com
Dois artigos do mesmo site: Atitude Sustentável chamam a atenção. Um sobre o ouro se tornar mais sustentável e o outro sobre a moda, que agora se insere dentro do conceito de ecologicamente correto.

Nada é mais aceito atualmente, dentro da ideia de sustentabilidade, do que ser ecologicamente correto, economicamente viável e socialmente justo e nesta onda todo mundo quer se inserir para hangariar novos públicos, principalmente aqueles que se preocupam com a questão ambiental.

No caso do ouro sustentável, o adjetivo é garantido pelo selo de fairtrade, ou comércio justo, posto que a empresa que faz a extração se preocupa com o salário que os mineradores recebem, com o não emprego de mão-de-obra infantil, com o fim do uso de mercúrio e cianeto e com a conservação do local de extração do ouro. Lindo.

Na contramão, questionar porque se dá a valorização deste minério, senão por ostentação (salvo seus usos em componentes eletrônicos, que é ínfimo) é fundamental. Portanto, a insustentabilidade do ouro está no valor que damos a ele e não na sua utilidade prática para o desenvolvimento da humanidade.
Pingente em ouro branco/www.belezasustentavel.com.br
Para somar, a garantia de salários adequados está nos termos da lei, bem como o emprego de trabalho infantil, assim nada do que este selo fairtrade tem empregado no processo de extração do ouro é fazer mais do que sua obrigação. Já no caso do uso de produtos químicos e a conservação ambiental, muitos países já possuem uma legislação bastante avançada que controla estas práticas, mas é evidente que não se reproduzem nos países ricos neste minério, como Bolívia, Equador, Colômbia e Peru, recaindo para uma questão de justiça ambiental, quando se onera ambientalmente povos que não irão usufruir dos benefícios.

Já no artigo sobre a moda ecologicamente correta...mantém-se a piada. Parece que agora o mundo fashion está preocupado com o meio ambiente, sem passar pela mudança de suas práticas e de sua própria essência, que é produzir novidades para serem consumidas a cada nova coleção, mesmo que você possua um guarda-roupa completo para um cataclisma.

A moda da moda agora são os algodões orgânicos, muito preocupados com o uso de agrotóxicos e menos com a qualidade de vida do trabalhador e com a forma produtiva. Nesta moda fashion vale, para ser sustentável, apoiar filmes em prol do meio ambiente, colocar o produto em embalagem de papel reciclado e usar fibra celulósica.

Tudo isso no mesmo ambiente em que se adventa o estereótipo físico e moral de modelos em propaganda de lingerie que cobram magreza e dissimulação de mulheres livres e autônomas, e o fast fashion da C&A e outras marcas, quando semanalmente novas peças são lançadas em pequena quantidade para que você, consumidor antenado visite as lojas e compre roupas e acessórios 4 vezes por mês!

E isso tudo em um site de sustentabilidade!!!

3 comentários:

Daniele Higa Bellini disse...

Como o que se encaixa hoje é fazer parte de uma sociedade politicamente correta, afirmando serem defensores da natureza, quando se preocupam unica e exclusivamente com si mesmo, com as roupas que vestem, com os carros que tem, para onde vão, e os produtos que usam sem falar nos que ainda usarão! Você me entende??

Joaquim Maia Neto disse...

Muito bom o texto! É importante que os processos produtivos sejam menos agressivos ao meio ambiente, mas não podemos nos enganar quando o que as empresas fazem é apenas cumprir a legislação. Além disso, toda a ação que tem como objetivo vender coisas demais, coisas que não precisamos, não pode ser considerada sustentável, porque o consumismo é o grande problema ambiental a ser enfrentado. Parabéns pelo post!

Juliana disse...

Acredito que o consumismo é um dos pontos da questão ambiental, sendo aquele que promove a busca infinita por recursos naturais, e antes dele a discussão perpassa pela reformulação de valores.
Obrigada pelo retorno!