6 de ago de 2011

A questão dos agrotóxicos

Pouco se discute atualmente sobre a questão dos agrotóxicos, onde estão presente, qual sua real utilidade e necessidade e como influenciam nossas vidas como consumidores e como nos posicionarmos diante da questão.

Antes de mais nada, é importante sabermos o que são os agrotóxicos, também chamados de denfensivos agrícolas ou agroquímicos. Podem ser definidos como produtos químicos, biológicos ou físicos que foram utilizados durante a segunda guerra mundial como arma química e atualmente para melhorar a produção agrícola defendendo-as de pragas e doenças que causam danos as plantações. Podem ser divididos em orgânicos e inorgânicos, sendo que este último é muito pouco utilizado atualmente. Os agrotóxicos orgânicos ainda podem ser divididos por sua origem, se vegetal ou organo-sintéticos. Os de origem vegetal são muito utilizados na agroecologia por sua baixa toxicidade e menor permanência no ambiente, já os de origem organo-sintéticos são produzidos e utilizados em larga escala, principalmente em monoculturas.

Como quase tudo que acontece, há duas versões a respeito dos agrotóxicos. Grandes empresas pesquisadoras e produtoras de agrotóxicos organo-sintéticos defendem a utilização deste produto devido as melhoras no rendimento dos cultivos e são apoiadas por órgãos públicos brasileiros que, e apesar do que demonstram diversas pesquisas, não desenvolveram leis de proibição de uso e incentivam a utilização dos mesmos, conforme pode ser verificado abaixo no trecho retirado do site da Embrapa (http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Pimenta/PimenteiradoReino/paginas/uso.htm):

“ Grandes epidemias de pragas e patógenos têm de ser debeladas imediatamente e o uso de agrotóxicos tem garantido a produção de alimentos.” (grifo meu)

Já a segunda versão é defendida por diversos órgãos ambientalistas, pela sociedade científica e por países que criaram leis vetando ou limitando a utlização dos agrotóxicos (no Brasil são utilizados 29 tipos de agrotóxicos proibidos ou restrito em outros países). As principais críticas estão associadas a permanência destes químicos no ambiente e em sua toxicidade para os seres vivos. Apenas para ilustrar, a OMS – Organização Mundial da Saúde divulga que ocorrem 20.000 óbitos/ano em consequência da manipulação, inalação e consumo indiretos de pesticidas nos países no terceiro mundo como o Brasil, que atualmente é o maior consumidor mundial de agrotóxicos.

Existem diversas alternativas práticas contra o uso deste produto, (inviabilizando o discurso de que somente os agrotóxicos garantem a produção de alimentos), desde a plasticultura, quando são desenvolvidas coberturas plásticas para proteção dos cultivos, até o manejo integrado de pragas e agricultura ecológica.

Além das medidas práticas, cabe ainda a discussão estrutural a respeito da forma de produção agrícola atualmente desenvolvida no Brasil. A entrada de inovações técnicas no campo deu-se nos anos 1960 durante a chamada Revolução Verde, com o objetivo de aumentar a produtividade agrícola; associada a um Estado concentrador de terras e com domínio da grande lavoura capitalista, as consequências foram desde a drástica redução da pequena agricultura até os impactos ambientais negativos relacionados a expansão da monocultura e ao uso intensivo de insumos químicos e pesado maquinário agrícola. 

Considerando que estas são condições inadequadas para a qualidade social e ecológica, se faz necessário uma mudança radical no modo de produção do campo e na concentração de terras, até porque sabemos que, se o discurso para a manutenção deste modelo é a produção de alimentos, quem garante de fato a seguridade alimentar é a pequena agricultura camponesa (saiba mais no post Reforma agrária e segurança alimentar) e no mundo ainda existem 30 milhões de pessoas que passam fome e outras 800 milhões que sofrem de subnutrição crônica, evidenciando o fracasso da revolução verde e o uso de agrotóxicos para garantir a produção de alimentos e que a fome é uma questão política e não técnica.

Para quem se interessou, não deixe de assistir o fime “O veneno está na mesa”, de Silvio Tendler, que mostra nossa exposição aos agrotóxicos diariamente e como sua utilização beneficia as grandes transnacionais produtoras de insumos químicos. Os produtores do filme permitem a livre cópia do material, portanto dissemine!

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