4 de ago de 2011

Sustentabilidade: algumas ferramentas para empresas

Neste post apresento algumas das principais ferramentas para a sustentabilidade as quais, organizações dos mais diversos setores podem utilizar visando uma atuação, por assim dizer... mais sustentável. São práticas, normas e indicadores que auxiliam na tomada de decisão e na apresentação dos resultados tríplices (econômicos, sociais e ambientais) almejados.

Estas ferramentas por si só, mesmo que empregadas conjuntamente, não garantem a sustentabilidade, apenas apontam um caminho para alcançá-la, partindo-se do entendimento que esta (a sustentabilidade) é um objetivo ideal, utópico, que só se faz necessário dentro das concepções de desenvolvimento vinculadas ao atual modo de produção (num próximo post esclarecerei esta posição).

Claro que este motivo não invalida estas ferramentas, somente traz o entendimento mais amplo de suas limitações. Cada uma das ferramentas elencadas abaixo são descritas suscintamente. Em outros posts futuros, cada uma delas será detalhada, de forma a explicar melhor o seu emprego e os benefícios decorrentes. 
  • ISO 14001: é a primeira das normas da família ISO 14000, desenvolvida pela International Organization for Standardization (ISO). Esta estabelece as diretrizes para a implementação e manutenção de um sistema de gestão ambiental em organizações das mais variadas áreas e portes. Seu objetivo principal é prover para a organização um processo estruturado com o qual ela possa alcançar e controlar sistematicamente o nível de desempenho ambiental que estabelecer para si. Esta estrutura é baseada na elaboração de uma política ambiental, objetivos, programas e indicadores de desempenho, análise de aspectos e impactos ambientais, legislação aplicável, monitoramento, auditorias e análise dos resultados, dentro de uma abordagem conhecida como PDCA (do inglês: Plan, Do, Check e Act);
  • ISO 26000: é uma norma internacional, publicada pela ISO, que contém diretrizes de uso voluntário sobre responsabilidade social (RS). Destina-se às organizações, independente de seu porte ou localização, que queiram incorporar considerações de cunho social nos seus processos decisórios. A norma fornece orientações sobre conceitos e definições referentes à responsabilidade social, princípios e práticas, temas e questões centrais relativos a RS, integração, implementação e promoção de comportamento socialmente responsável, identificação e engajamento de partes interessadas e a comunicação de compromissos e de desempenho;
  • SA 8000: é também uma norma internacional para avaliação da responsabilidade social de empresas fornecedoras e vendedoras, publicada pela  Social Accountability International (SAI). Baseia-se nas normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Declaração Universal dos Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU). É composta basicamente por 9 requisitos, referentes ao trabalho infantil, trabalho forçado, saúde e segurança, liberdade de associação e negociação coletiva, discriminação, práticas disciplinares, horário de trabalho, remuneração e sistemas de gestão;
  • OHSAS 18001: é uma norma internacional utilizada para a implementação e manutenção de sistemas de gestão de segurança e higiene ocupacional, publicada pela Occupational Health & Safety Advisory Services, permitindo às organizações atingir e sistematicamente controlar e melhorar o seu nível do desempenho. A estrutura da norma adota uma abordagem pela minimização do risco, de forma a contribuir com a redução dos acidentes e doenças do trabalho, adoção de boas práticas de higiene, segurança e saúde e o cumprimento dos requisitos legais aplicáveis e subscritos;
  • AA 1000: é uma norma de diretrizes, publicada pela AccountAbility, não certificável, aplicável a organizações de qualquer setor, porte e localização geográfica, referente ao engajamento das partes interessadas (responsabilidade socioambiental). Surgiu como uma forma de resposta ao aumento pela demanda de relatórios de sustentabilidade e à necessidade de assegurar a sua confiabilidade. A norma apresenta os principais tópicos ligados à responsabilidade social, os pontos de divergência e de convergência com os demais normas e padrões, além de incentivar um contato mais estreito com as partes interessadas e possibilitar a identificação de lacunas e oportunidades de atuação da empresa no que diz respeito à sustentabilidade;
  • Global Reporting Initiative (GRI): é um conjunto de padrões internacional com diretrizes para elaboração de relatórios de sustentabilidade, elaborado por uma rede de especialistas de diversos países. Sua estrutura é composta por  princípios para o relatório, orientação para confecção e um modelo de conteúdo. É aplicável a organizações de todos portes, áreas e localização. Para as organizações relatoras, a estrutura fornece ferramentas para a gestão, maior comparabilidade e redução de custos em sustentabilidade, fortalecimento da marca e da reputação, diferenciação no mercado, proteção contra desgaste da marca resultante das ações, networking e comunicações;
  • Pacto Global: é uma iniciativa desenvolvida pela ONU com o objetivo de mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção, na condução de seus negócios, de valores fundamentais e internacionalmente aceitos com relação aos direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção refletidos em 10 princípios. É uma iniciativa de adoção voluntária que procura fornecer diretrizes para a promoção do crescimento sustentável e da cidadania, através de lideranças corporativas comprometidas e inovadoras;
  • Produção Mais Limpa (P+L): é um conjunto de práticas de aplicação contínua de cunho econômico, ambiental e tecnológico. Estas práticas devem ser integradas aos processos e produtos da organização com a finalidade de aumentar a eficiência no uso de matérias-primas, insumos e energia. Os objetivos principai são a não geração, minimização ou reciclagem de resíduos gerados de forma a aumentar a vantagem econômica e competitiva da empresa, reduzir os desperdícios, diminuir os impactos ambientais, aumentar a competitividade, adequar os processos e produtos em conformidade com a legislação ambiental e promover a boa imagem da empresa, divulgando a ecoeficiência da produção e a qualidade dos produtos oferecidos;
  • Análise do Ciclo de Vida (ACV): é uma ferramenta, regulada pelo conjunto de normas ISO 14040, que permite a quantificação das emissões ambientais ou a análise do impacto ambiental de um produto, sistema ou processo. Essa análise é feita sobre toda a "vida" do produto ou serviço, desde o seu início até o descarte final ou encerramento, passando por todas as etapas intermediárias. Por isso é também chamada de "análise do berço à cova". Esta ferramenta é muito utilizada para comparar o impacto ambiental de diferentes produtos com similar função, auxiliando na adoção de opções com menor impacto.

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