29 de ago de 2011

Sustentabilidade em áreas de preservação permanente

Ao contrário do discurso vigente e atualmente disseminado pelos apoiadores do novo Código Florestal, é possível garantir sustentabilidade econômica e preservação ambiental em áreas de proteção permanente – APP.
 Os sistemas agroflorestais representam um bom exemplo neste sentido. Chamados de SAF’s, estão muito associados as práticas de manejo agroecológicas, na qual é possível combinar espécies arbóreas, cultivos agrícolas, criação de animais, concomitante ou sequencial, de forma a promover benefícios econômicos e ecológicos. No caso dos SAF’s, a proposta é permitir o manejo do solo com cultivos variados junto a floresta.
Os SAF’s são organizados de acordo com o meio, assim para cada local existe uma forma mais adequada de trabalhá-lo pensando no clima, topografia e no tipo de solo disponível e inclusive na escolha do que será plantado. Mais do que isso, este tipo de manejo permite a fixação do agricultor na terra, envolvimento dos familiares, segurança alimentar, geração de renda, saúde e qualidade de vida.
A fixação do homem no meio rural é uma questão datada do período inicial da industrialização, quando o meio urbano passou a ser mais “vantajoso” para o agricultor, que concomitante, passou  a ser expropriado de suas terras. Com o domínio do capitalismo, no meio rural e urbano, a manutenção da vida familiar no meio rural se tornou cada vez mais árdua e desvalorizada, o que não difere do meio urbano, apenas em qualificações.
A consolidação dos SAF’s surge então como uma alternativa, já que possibilita o plantio de cultivos variados em poucos hectares, garantindo a segurança alimentar para a família e geração de renda com a comercialização do excedente. A maior variedade de cultivos permite maior segurança alimentar para a família e aumenta a renda gerada com a comercialização dos produtos. A mesma renda garante que o agricultor viva de sua produção e promove a visualização de um futuro no campo para as gerações precedentes.
A mais, os sistemas agroflorestais são consorciados para a manutenção da qualidade ambiental da propriedade rural e do seu entorno, o que permite a continuidade dos serviços ecossistêmicos.  O uso de agrotóxicos e herbicidas, apesar de promover maior renda ao agricultor, é inviável do ponto de vista da qualidade de vida e ambiental e o mesmo sucesso produtivo pode ser garantido com a adoção de SAF’s sucessionais, biodiversificados e manejados sem o uso de produtos externos e sem a coivara.
Sendo os cultivos desenvolvidos junto a floresta preservada, não há necessidade de concorrência entre a área de produção agrícola e a área de APP, o que vai de encontro ao discurso da bancada ruralista, que insiste em afirmar  que a manutenção de áreas preservadas nos imóveis rurais é um impecilho ao crescimento econômico. Inclusive, alguns tipos de sistemas agroflorestais permitem a reabilitação de áreas degradadas.
Um projeto vem sendo desenvolvido entre o Instituto Tecnológico da Borracha – ITEB e a ONG Educa Mata Atlântica para a promoção da geração de renda e da sustentabilidade com o plantio consorciado da seringueira com a floresta. Para saber mais, leia o artigo: Projeto aposta no cultivo da seringueira como fonte de renda e sustentabilidade.
Contudo, o debate sobre o crescimento econômico é direcionado para a grande propriedade produtora de commodities, sem atentar que a produção de alimentos estratégicos a população e garantida pela pequena agricultura camponesa, bem como a geração de renda e emprego no campo e a famigerada sustentabilidade.


Fonte da imagem: Sítio Curupira

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