30 de ago de 2011

O limite do crescimento econômico é a sustentabilidade ecológica

Para a economia ecológica, a Terra não é um conjunto de fluxos, mas um todo material e, portanto, finita, salvo o fluxo de energia solar que é constante, mas limitada.
Para alguns economistas, a economia é um subsistema do ecossistema estando então atrelada aos limites naturais. Neste sentido, propor o crescimento econômico, como atualmente é feito, é prever que a natureza pode fornecer mais do que atualmente dispõe, posto os limites já apresentados por ela. O melhor exemplo desta concepção de crescimento é a base epistemológica mecanicista da economia, que representa o processo econômico como um fluxo circular auto-sustentável entre produção e consumo.

Já diferenciamos aqui os conceitos de crescimento e desenvolvimento, e é neste ponto que os economistas menos ortodoxos estabelecem a relação entre economia e meio ambiente. Só é possível a garantia de prosperidade para a humanidade pensando dentro dos limites naturais e para isso é necessário que os países desenvolvidos parem de crescer ou até mesmo retornem a um estágio ideal, no qual seja possível que todos os países alcancem.
O estágio de desenvolvimento ideal é determinado pelo crescimento deseconômico, quando o custo do crescimento econômico começa a custar mais do que vale, ou seja, os custos de produção saem mais caro do que o produto. No entanto, o crescimento deseconômico só passa a existir quando na produção for contabilizada as externalidades, que nada mais é do que os custos ambientais e sociais que não são agregados aos produtos e/ou serviços.
Para o economista Herman Daily, o decrescimento acontece quando ultrapassou-se a escala ótima da economia em relação ao ecossistema, como um estado clímax dentro de um determinado ecossistema, posto assim, o crescimento contínuo é inviável do ponto de vista ambiental e o descrescimento também, já que não seria possível garantir qualidade de vida para a humanidade; O que se propõe é um estado estacionário, pensando na longevidade da comunidade mundial.
Mais do que supor a infinitude da natureza, a economia baseada no crescimento que já alcançou os limites naturais passa a forçar fisicamente esta possibilidade criando mecanismos de gerar mais lucro sem produzir riquezas, como a emissão de títulos de dívidas no mercado financeiro. Daily também associa o PIB e a felicidade, levantando a questão que a partir de determinado índice o crescimento econômico não produz um aumento na felicidade, apesar de continuar a produzir danos ambientais e sociais.
“Creio que o crescimento realmente não satisfaz mais as verdadeiras necessidades humanas da comunidade, bons relacionamentos e paz. Uma economia calcada no crescimento leva à guerra por recursos e território.”(entrevista concedida ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU)
Contudo, a ideia de um estado estacionário detém suas limitações. Em um mundo estacionário, a produção é constante sob uma base material constante para um crescimento populacional zero através de um reuso contínuo de energia, o que provocaria o fim da crise ecológica. No entanto, a Lei da Entropia contraria esta lógica ao compreender que o processo econômico, assim como a natureza, é regido pelo princípio de que a quantidade de energia disponível (de baixa entropia), ao ser utilizada, passa a ser energia indisponível (alta entropia), inviabilizando qualquer proposta estacionária de desenvolvimento contínuo, independente de qualquer desenvolvimento tecnológico.
“Pensar que a humanidade pode construir a um dado custo um novo meio ambiente talhado para suas necessidades é ignorar completamente que a essência do custo reside na baixa entropia, não na moeda corrente, e está sujeito às limitações impostas pelas leis naturais.” (Georgescu-Roegen, 1976)
Pensando nisso, a proposta defendida por Daily baseia-se na longevidade da humanidade e não na vida eterna neste mundo, posto que o destino mais provável da espécie humana seja a extinção a longo prazo. Assim, se a proposta de descrescimento garantir qualidade e longevidade de vida a humanidade o sucesso está garantido, e é neste sentido que a teoria de Georgescu-Roegen conflui, quando o descrecimento promove a redução da produção de alta entropia.
Fontes:
Georgescu-Roegen, Nicholas. Energy and Economic Myths, 1976

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