25 de ago de 2011

A inclusão das externalidades no ciclo de vida

Em outros posts do blog falamos sobre as externalidades, que nada mais são do que as consequências que determinado produto ou serviço ocasionam durante seu ciclo de vida à sociedade e ao meio ambiente. Ciclo de vida é o longo processo pelo qual um produto ou serviço passa, desde sua concepção até sua obsolecência, quando o consumidor sente a necessidade de comprar um novo produto ou serviço e o descarte final.


O ciclo de vida foi inicialmente criado para a gestão de negócios como mecanismo de investimentos e gerenciamento, garantindo assim a viabilidade econômica de determinado produto para determinada empresa.

Com o advento das questões ambientais e da preocupação de algumas empresas com sua imagem pública, (já que não existe de fato o discurso de preocupação com o meio ambiente e com as gerações futuras), o ciclo de vida passa a ser analisado também pela logística reversa.

Logística reversa trata-se do acompanhamento logístico do ciclo de vida do produto, mas a partir do consumidor até a origem, o que inclui a fase de depuração do produto pelo meio ambiente e os impactos ambientais e sociais causados pelo descarte. Para tanto, este modelo de análise se sustenta na conscientização dos problemas ambientais, no excesso de resíduos em aterros e lixões, a escassez de matéria-prima e a política e legislação ambiental. Segundo dois pesquisadores do assunto, Rogers e Tibben-Lembke (1998), a logística reversa é:

"o processo de planejamento, implementação e controle da eficiência e eficácia e dos custos, dos fluxos de matérias-primas, produtos em curso, produtos acabados e informação relacionada, desde o ponto de consumo até ao ponto de origem, com o objetivo de recapturar valor ou realizar a deposição adequada".(grifo meu)

Mas não se engane. A logística reversa existe há algum tempo e não foi somente pela preocupação com a imagem que as empresas passaram a se “preocupar” com o meio ambiente.  No objetivo de recapturar valor (grifo acima) a empresa está mais preocupada em garantir o acesso a determinada matéria-prima de difícil aquisição ou por seu alto valor no mercado, e não relacionado à preocupação com os danos que poderiam causar ao meio.  Também com a aumento de vendas via e-commerce a logística reversa se tornou importante para as empresas, visto o alto índice de devolução dos produtos que, ao chegar nas mãos do consumidor, não possuiam a qualidade desejada, exigindo da empresa um sistema de gestão das devoluções.

Outro grande exemplo é o mercado de carbono que, em linhas gerais, é o direito de poluir sendo comercializado, visto que quando determinada empresa não atinge sua taxa de emissão de poluentes, ela os vende em um grande mercado internacional, traduzidas pelo fabuloso discurso de combater as mudanças climáticas pela mensuração, redução e compensação das emissões de gases do efeito estufa.


No mercado de carbono, 1 tonelada de CO2 corresponde a 1 crédito de carbono, que é negociado no mercado internacional e a empresa que o compra “ganha” a permissão de emitir os gases. A “traquinagem” é que não existe redução nem compensação, ninguém reduz suas emissões, somente as compra de quem ainda não alcançou um nível de desenvolvimento industrial para atingir os níveis máximos determinados no Protocolo de Kyoto. A compensação muito menos, visto que o valor do crédito de carbono não pode ser superior a multa que a empresa pagaria pelo dano ambiental.

Assim, de boas intenções o inferno está cheio.

Fontes:

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