4 de jul de 2012

Só a iniciativa comunitária pra financiar as necessidades de pobre


Taí uma daquelas boas notícias. Um comunidade carente em Brasília se organizou e criou o Banco Comunitário Estrutural, que tem como objetivo dar crédito aos moradores da Estrutural, a quem trabalha, mas não tem carteira assinada, aos autônomos, aos que tem dívidas e necessitam de empréstimo, dentre outras situações variadas.


A ideia é que a própria comunidade determine quem pode ou não receber crédito do banco comunitário, considerando para isso o elo que o cliente estabelece com a comunidade, seu histórico que levou a dívidas com outros bancos...aqui sim está a proposta de personalização e mais, de humanização, como diz o artigo: é a humanização das relações econômicas.

Bom seria mesmo se não fosse preciso dinheiro para mediar as relações humanas e trocas pudessem ser feitas simplesmente com o fim de suprir necessidades.

A proposta do Banco Estrutural é atender as necessidades dos moradores da comunidade, que não podem se supridas com a ajuda de bancos tradicionais, posto que neste não tem crédito. Assim a obtenção de lucro é uma consequência e tem outra definição, não necessariamente vinculado ao ganho monetário, mas a qualidade de vida e desenvolvimento social da comunidade.

Isso me lembra o banqueiro do pobres, Yunus que desenvolveu o banco Grameen, para oferecer microcrédito a mulheres na Índia. Sua proposta tem uma série de problemas de cunho social que já apontei no post Mulheres e a Economia, que em síntese está no campo da ineficiência em produzir uma mudança estrutural ou promover uma crítica ao modelo econômico excludente que força o surgimento de iniciativas populares.

Este é justamente o ponto que o Banco Estrutural se diferencia das outras iniciativas como o Grameen, ao possibilitar uma assistência a estes clientes carentes, que produza mudança e melhoria da qualidade de vida, questionando a estrutura excludente em que estão inseridos e que os mantinha em sobrevida.

Outras iniciativas como estas se reproduzem pelo Brasil. No Bairro Guapiruvu, no Vale do Ribeira-SP, a comunidade organizou uma proposta de microcrédito com juros apenas para manter o serviço e com recursos da própria comunidade, tendo como objetivo apoiar os produtores rurais que, vinculados a cooperativa CooperAgua retém a produção para vendê-la a um preço justo.

O que fica pra mim é a necessidade de nos desligarmos dos “tomadores de decisão”, eles estão distante demais das realidades do povo e/ou não tem interesse algum em resolvê-las. Como Boaventura de Souza Santos diz, agora é fundamental que as organizações da sociedade civil sejam capazes de se associar, articular e organizar as lutas comuns, sem depender da ação de grandes escalões dos governos.

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