12 de ago de 2011

Energia para um mundo sustentável: combustíveis fósseis

Em todo sistema observamos entradas e saídas e, portanto, fluxos. Estes, por sua vez, podem ser basicamente de matéria ou energia. Visto dessa forma, nosso planeta pode ser entendido com um enorme sistema, que recebe um fluxo contínuo de energia eletromagnética proveniente do Sol e que faz “girar” todos os subsistemas e processos subjacentes, inclusive a nossa tão vangloriada economia, apesar desta não compreender ou pelos menos negar hipocritamente tal fato, como já analisamos aqui no post Economia Ecológica: definição e potencialidades.

Essa energia proveniente do Sol é, em boa parte, refletida de volta para o universo e parte é mantida nas camadas mais próximas ao solo devido à características bem particulares de nossa atmosfera. As plantas e certo tipos de microorganimos conseguem fixar essa energia em complexas estruturas materiais orgânicas, num incrível processo neguentrópico, que significa a tendência para a organização e para a complexidade crescente, própria da vida. Estas estruturas, se mantidas soterradas a grandes profundidades, durante milênios, sob condições de pressão e temperaturas extremas, formam o que comumente chamamos de combustíveis fósseis e, estes sim são o grande motor da economia global pós-revolução industrial.

Todas as ditas grandes economias queimaram e ainda queimam combustíveis fósseis, em suas diversas formas – petróleo, carvão e gás natural – para gerar energia elétrica e para o transporte de materiais e pessoas. E nem preciso comentar aqui sobre os diversos impactos no clima, já bem conhecidos, como aumento do efeito estufa, inversão térmica e chuva ácida e também para a nossa saúde, isso falando apenas da queima, sem mencionar outros tantos da cadeia produtiva.

No mercado mundial o preço dos combustíveis fósseis mantem-se virtualmente baixo, apesar dos diversos alardes quanto a sua possível escassez. As oscilações dos seus preços acompanham as taxas de juros do mercado, pois estes são tratados como commodities pelas corporações produtoras. Se as taxas de juros estão altas, estas exploram, vendem e aplicam o dinheiro em mercados com alto retorno, caso contrário, deixam lá soterrados esperando o valor aumentar.

E não é só isso. Existem também dois outros grandes motivos para se manter uma economia baseada nos combustíves fósseis, e estes são os mais fortes e menos vísiveis. Os preços são mantidos baixos e o consumo incentivado devido aos nefastos subsídios mantidos pelos governos às grandes corporações produtoras. E outra, como toda a economia opera sobre um código desvirtuado, ao não se considerar os custos ambientais e sociais nas contabilidades das empresas, tratando-os como externalidades. E pior, as nações ao pagar os custos com a recuperação ambiental e o tratamento de saúde necessários, chegam a conclusão que a economia vai muito bem, obrigado, pois o PNB/PIB aumentou!? Legal né?

Mas, felizmente, existem algumas soluções práticas e rápidas que já ajudariam – e muito! – no início de uma mudança de rumo. Algumas tecnologias para geração de energia utilizando fontes renováveis já desapontam como econômico-social-ambientalmente viáveis, como a eólica e solar, que se não fossem os subsídios aos combustíveis fósseis, já concorreriam em pé de igualdade; os governos poderiam também empregar o seu enorme poder de compra para impulsionar o mercado em favor de fontes menos impactantes, aliado também a um ajuste de políticas e impostos; e, por fim, a célula de combustível (que gera energia elétrica a partir do hidrogênio) associada a técnicas de engenharia para a eficiência energética e uma matriz de menor escala de outras fontes, como as pequenas centrais hidrelétricas e solares – na melhor filosofia do “Small is Beautiful” – reduziriam riscos de fornecimento e escassez e forneceriam energia limpa que realmente precisamos para o nosso dia-a-dia.

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