23 de jul de 2011

Educação ambiental crítica

Como resultado de um processo de refutação da primeira educação ambiental (conhecida como educação ambiental conservadora), desenvolvida no Brasil com mediações de governos militares sucessivos, a educação ambiental como um todo se reorganizou repensando a capacidade transformadora da realidade dissociada do conservador jogo de poderes dominante.

Neste contexto, a educação ambiental que se firmava recusou o cientificismo cartesiano, o antropocentrismo, a formação tecnicista repassadora de conhecimentos mas, de modo geral, somente em princípios, já que muitas das atuações que vemos na prática ainda conjectura com as definições acima, apesar das variadas rotulagens e das inúmeras cartas de princípios.

Diversas categorias de educação ambiental se formaram, com características diferenciadas, como a ecopedagogia, educação ambiental transformadora a própria educação ambiental crítica, entre outras. Todas elas puderam introduzir a especificidade de compreender a sociedade e a natureza no campo das relações que estabelecem entre si e na capacidade de refletir sobre os problemas ambientais.
A educação ambiental crítica (EAC) tem sua origem nos ideais democráticos e emancipatórios do pensamento crítico, que por sua vez é derivado dos ideais da Escola de Frankfurt, denominado por Instituto e Pesquisa Social. A Escola de Frankfurt foi criada em 1923 por um grupo de intelectuais que buscavam compreender a sociedade contemporânea por um viés crítico, como premissa a constestação do modelo capitalista, desumano, tecnicista e individualista e a refutação da neutralidade científica, sendo analisadas pela ótica da política, economia, cultura, filosofia, psicanálise e artes.

No que tange a educação ambiental, esta busca posicionar-se frente a questão ambiental de maneira também crítica, compreendendo o indivíduo como sujeito ecológico individualizado, porém historicamente situado, o que quer dizer na prática que a intervenção produzida por este modelo não se reduz a mudança de atitude e comportamentos do indivíduo nem na mudança de coletivos abstratos, a mudança ocorre pela relação indivíduo, coletividade e meio ambiente, de forma que o indivíduo posicione-se criticamente diante destas relações. A mais, a EAC tem sua teoria e prática atrelada ao conceito de justiça ambiental, que repensa criticamente e atuante a forma desproporcional de externalizar a degradação ambiental produzida pelo modo capitalista de produção (saiba mais sobre justiça ambiental).

Neste sentido, a EAC se contrapõe a ecopedagogia, outro modelo de educação ambiental, entendendo que a mudança social não será produzida quando cada um fizer sua parte e que a real transformação no mundo virá após um processo de mudança de atitudes e comportamentos individualizados. A ecopedagogia principia a melhoria da qualidade de vida como resultado da mudança de mentalidade, não objetiva a compreensão do mundo a partir da complexidade derivada das relações homem-natureza. 

Na perspectiva crítica, a EAC promove sua teoria e prática na possibilidade de formar cidadãos participativos, autônomos e capazes de agir para a transformação, para tanto, a EAC prevê em sua prática a inclusão de todos os atores sociais que atingirá em um projeto ou ação e tornar estes atores sociais capazes de resolver e relacionar os problemas ambientais com seu contexto social a partir de um conhecimento construído pelo diálogo e enfrentamento de posições e idéias.

3 comentários:

Dani disse...

Oi Ju!!
Muito legal! Parabéns pela iniciativa!! Bjos

Luiz Bissoli disse...

Show de bola Ju! Gostei muito dos conteúdos seus e do Leonanrdo. estão de Parabens. abs

Professora Bárbara C. Dias disse...

Olá Juliana,
Dei uma olhada rápida do Na Beirada e não podemos nos perder de vista, rs. Gostaria de uma parceria vocês aceitam? Irei cadastral um link no meu blog e podemos trocar banners, se quiserem.
Gostei muito dos textos que li, sobretudo este sobre EAC. Estamos precisando de mais pessoas desvelado essas questões socioambientais de maneira crítica. Parabéns pelo blog também.
um abraço,
Bárbara