7 de set de 2012

Cadê a postura ideológica? E a cara de Pau, Embrapa?


Não é de hoje que sabemos da impossibilidade de alcançar a neutralidade científica. A começar porque somos humanos e, por isso, seres construídos socialmente, com crenças, posições, ideologias. E porque cientistas são, antes de serem pesquisadores, seres humanos.

Para isso existem os métodos, metodologias, comissões, orientadores, avaliações, bancas examinadoras, etc. que apontam para o máximo de neutralidade possível, baseando a pesquisa e os resultados somente em dados e fatos, tendo consciência inclusive das limitações intrínsecas a própria ciência.

Também sabemos que as instituições também não são neutras, elas respondem a determinados interesses, principalmente quando são instituições públicas. O problema é quando estes interesses não são os mesmos interesses públicos, ou seja, o desenvolvimento e o bem estar da população.


Isso tudo ficou claro recentemente quando a pesquisadora da Embrapa Débora Calheiros obteve ganho de causa quando foi perseguida pela chefia local após divulgar resultados de uma pesquisa que apontava que as 135 hidrelétricas em construção no Pantanal acarretariam sérios problemas ao regime de cheia e danos irreversíveis ao bioma.


A liminar concedeu a paralisação das emissões de licenças ambientais das hidrelétricas na Bacia do Alto Paraguai e que nenhuma licença seja emitida até que a Avaliação Ambiental Estratégica de toda bacia seja realizada.

A situação é muito pontual e apresenta o compromisso que poucos pesquisadores possuem com seus objetos de pesquisa. A pesquisadora também é acusada de insubordinação e de ser ideológica no exercício da função. Agora me diga: o que não é ideológico?! Acho que apenas a limitação que o acusador tem em relação ao conceito.

Mais do que isso, o evento aponta a manipulação e controle que os interesses privados detém sobre as instituições públicas que deveriam estar trabalhando em prol do desenvolvimento do país. No caso, a própria Constituição Federal descreve que o poder público tem o dever de conservar a qualidade ambiental do Pantanal.

Especificamente em relação a Embrapa, outros interesses tem pontuado a atuação da instituição, bastante vinculada a pesquisa e liberação dos transgênicos no país, como em relação ao feijão transgênico, liberado às pressas pela empresa em setembro de 2011.

Assim, a postura ideológica e unilateral da Embrapa e de outras empresas são posta a prova aos poucos. O que não deve ser aos poucos é a perda de credibilidade que ganham, perdendo assim qualquer potencial de referência tanto para a ciência como na boca do povo.

Fonte: Centro de Estudos Ambientais

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