15 de nov de 2011

Por trás do discurso da energia limpa

Atualmente a Alemanha tem alavancado o debate sobre tecnologias limpas na Europa, de forma muito graciosa, mostrando como um país pode ser economicamente viável se preocupando com a problemática ambiental.

Para esclarecer melhor, a Alemanha esteve investindo e aplicado recursos no uso de energia limpa, como a energia nuclear, programa que tem sofrido muitas críticas devido principalmente aos eventos em Fukushima e que, portanto está sendo substituída pela energia solar, eólica e de biomassa. Como plano governamental, foi determinado que até 2050, 80% da matriz energética do país seja de origem renovável.

Para suprir a demanda energética que surgirá com a desativação das usinas nucleares, a Alemanha passará a incentivar o desenvolvimento de novos produtos ligados a eficiência energética, tecnologias estas que poderão ser vendidas para outros países interessados, como o Brasil, que grita aos quatro ventos seu potencial hidrelétrico, mas comprou da Alemanha tecnologia nuclear para a instalação das Angras.

No entanto, por trás do discurso sempre há um outro parecer.

Ainda que seja ótimo para a melhoria ambiental no planeta, é somente uma nova roupa para o capital, que agora se reveste de ‘ambiental’ para vender um novo produto, aqueles associados ao adjetivo ecológico, dentre eles as tecnologias limpas para a crescente necessidade energética (está sim não questionada, já que passa pela reflexão sobre o modo de produção do sistema capitalista). Tanto é que o setor energético tem aparecido como um dos mais dinâmicos e competitivos do mundo, com aumento de 630% desde 2004.

É portanto a demanda energética que tem alavancado os investimentos no setor e não a preocupação com o aquecimento global e com a sustentabilidade. 

Thulío Guimarães atenta para a percepção de que são os países europeus que tem sido protagonistas no desenvolvimento das tecnologias limpas, isto porque as fontes energéticas destes países está nas mãos dos Estados Unidos e da Rússia, basicamente. A ideia então é ampliar as fontes de energia para serem menos dependentes econômica e politicamente.

Além disso, a disseminação destas novas tecnologias (mais caras) é fundamental para que estes países europeus continuem concorrentes no mercado, caso contrário seus produtos serão mais caros e, portanto menos concorrentes. Para tanto, o tema do aquecimento global é de suma importância para mobilizar a mídia e a opinião pública.

“A leitura do que se produz em torno dessa questão apresenta um quadro quase que messiânico em torno das fontes renováveis, como se essa fosse uma questão de que necessitasse do voluntarismo engajado das forças sociais, em busca de um mundo melhor, uma nova utopia para a civilização. Não faltam exemplos, e entre eles o Brasil costuma ser apontado como uma “grande solução para um mundo desesperado por encontrar novos caminhos”.”

Quem vai continuar ouvindo a pregação?

Fontes:

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