19 de out de 2011

BRACVAM: contra a vivisecçção e a dissecação

Em setembro saiu a notícia de que o Brasil agora terá um centro de pesquisa para desenvolver métodos alternativos para validação de pesquisas que não usa animais em sua fase de teste.

O centro chama-se BRACVAM – Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos e foi criado a partir de uma parceria entre o INCQS – Instituto Nacional de Controle de Qualidade de Saúde, Fiocruz e a Anvisa.

 
http://vista-se.com.br/redesocial/anvisa-aprova-parceria-com-incqs-para-excluir-animais-de-pesquisa

Na verdade, já existem alguns métodos alternativos sendo desenvolvidos em universidades e centros de produção de vacinas, como no Instituto Butantan e o Adolpho Lutz e o mais interessante é que, do ponto de vista acadêmico, as pesquisas que se utilizam de cobaias são vistas como menos desenvolvidas do ponto de vista técnico – científico.

Segundo Isabella Delgado, que esta a frente deste avanço na América do Sul:

“Buscamos mais avanço técnico, resultados mais confiáveis, menos susceptíveis a erros, de menor custo e de mais fácil difusão em outros países”, disse Isabella Delgado. “Encontramos 14 pesquisas de métodos alternativos no país e nossa ideia é reunirmos essa expertise, pesquisarmos juntos”. 

Com parceria de órgãos públicos na Bracvam, o governo expõe, de certa forma, um posicionamento de apoio a causa, ou melhor, contra o uso de animais em pesquisas, porém sem nenhuma ação mais contundente, inclusive sem definir o orçamento inicial, para não afetar seus lobistas.

A criação do centro abre para o debate do ponto de vista ético, em relação as pesquisas que se utilizam de animais, em qualquer que seja a etapa. Desde 2004, a União Européia rejeita comésticos que sejam desenvolvidos desta forma, já no Brasil são poucas as empresas que atuam da mesma forma, uma delas é a Phytoervas, que não realiza pesquisas e não utiliza nenhum produto de origem animal na composição de seus produtos.

É importante lembrar que, se houver alguma reação positiva contra o uso de animais em pesquisas, ela vai partir da indústria cosmética porque a maioria dos ingredientes utilizados já são conhecidos e já sabemos as reações que causam nos seres humanos, por isso, não há nada de grandioso ou ético nesta ação.

Outras indústrias, como de medicamentos para seres humanos, se defendem alegando que os testes são a única forma de garantir segurança, no entanto, os animais diferem entre si e com o homem não é diferente e os resultados obtidos em um podem ser completamente diferentes em outro.

O uso de cobaias para pesquisa é chamado de vivisecção, e engloba diversas categorias de pesquisa científica e procedimentos médicos, como testes de medicamentos ou produtos químicos a aplicação de equipamentos em órgãos ou partes do corpo.

Animais também são utilizados para dissecação como método para aprendizagem em anatomia, fisiologia e teoria da evolução. O método é antigo e muito utilizado em escolas e universidades, produzindo assim um grande mercado de comercialização de corpos, ainda que existam alternativas de aprendizado com a mesma qualidade e eficácia, estando a dissecação regulada e desencorajada nos Estados Unidos, onde 70% das faculdades de medicina não utilizam cobaias, inclusive em Harvard, na Inglaterra e na Alemanha a prática educacional foi abolida, na Grã-Bretanha é ilegal e na Itália, 1/3 das universidades abandonaram o ato.

No Brasil, o passo mais “avançado” neste sentido foi dado pela faculdade de veterinária da USP, onde as cobaias só não são utilizadas em aulas de técnica cirúrgica. 

A proibição da vivisecção e dissecação em alguns países demonstram a eficácia do uso de métodos alternativos, seja na pesquisa ou na educação. Estudos clínicos, pesquisa in vitro, acompanhamento de uso no mercado, modelagem, simulação computadorizada, realidade virtual, cadáveres e pesquisa genética são alguns exemplos de métodos que substituem o uso de cobaias.

Para compor o quadro, estudantes que se recusem a participar de aulas com dissecação são protegidos pela lei de Objeção de Consciência, quando não podem ser obrigados e nem punidos por isso. A objeção de Consciência também serve como um ato de democracia e como indicador do grau de consciência social no país.

"O estudante que se recusa a participar de atividade que parece ser ou é cruel aos animais deve ser encorajado e não desestimulado. Compaixão é muito mais difícil de se ensinar do que anatomia." Neal D. Barnard, MD - Psiquiatra, 1995.

Apostemos então no Bracvam, como estopim para uma condição de mudança.

Para quem quiser saber quem testa ou não em animais, confira a lista no link do PEA

Fonte:

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